top of page
Buscar

Tenho um problema, com quem devo conversar?

ree

A resposta par esta pergunta é: depende. Depende de vários fatores, principalmente levando em consideração de que problema estamos falando.

Quando temos questões emocionais e desejamos buscar alguém que possa nos escutar e acolher a nossa dor naquele momento, nessas horas o amigo e um bom psicoterapeuta podem te ajudar. Mas se os dois podem me ajudar, porque tenho que saber escolher um ou outro? Na verdade, podem parecer que são iguais, mas não são...

Quando você busca um amigo ou uma amiga para desabafar ele ou ela vai te escutar e vai emitir opiniões com base nas vivencias desta pessoa e de como ela vê e vivencia o mundo, ainda pode ser uma pessoa que te dá conselhos para te prejudicar ou prejudicar a sua relação, e ai você pode cair na armadilha da manipulação e no lugar de se sentir bem, vai se sentir muito pior...

De fato, um bom amigo e uma boa relação de amizade pode ser e é uma grande dádiva nos dias de hoje em que estamos constantemente nos isolando física e emocionalmente. Porém, é mais raro ainda encontrar um amigo que seja acolhedor e não te julgue, ou jugue a situação. Mas se você tem um amigo ou amiga assim assim, você é uma pessoa com privilégios.

Quantas vezes você foi conversar com alguém e ela começou a falar dos problemas dela, e naquele momento você só queria que ela te escutasse e te entendesse, só isso. Ou ainda, sentir que seu problema perdeu até importância diante da fala desta pessoa e ainda você sentiu culpa por ter exposto seu sentimento, e que a dor dos outros é maior que a sua... isso tudo só piora a situação...

Psicólogo ou psicoterapeuta são seres humanos (ou não, kkk) que pelo menos passaram 5 anos estudando vários autores, apostilas, livros e a si mesmo (que é a matéria mais difícil). Após esses cinco anos de estudos, saímos da universidade com um diploma na mão, e um sonho... nas costas temos um longo tempo vivido, no presente uma beca e fotos com familiares e o futuro a Deus pertence (ou não, ironia, de novo). E estas vivencias nos dão uma amostra de como o mundo funciona e como as pessoas funcionam e se relacionam neste mundo.

Sendo assim, um profissional da saúde mental é ensinado a lidar com os problemas emocionais dos outros, com ferramentas e técnicas infinitas, às vezes pode até aplicar em si mesmo, mas é desejável que este profissional faça terapia para cuidar de suas questões emocionais. Inclusive acho válido falar sobre algo muito importante, que você não saiba.

O ou a profissional da saúde mental, são pessoas normais, com vidas normais e com problemas normais, sim, problemas normais! Porque estou falando isso? Porque muitas pessoas esquecem que o terapeuta é um ser humano que pode acertar e também errar, a superação e a compreensão disso pode até ser terapêutico ou pauta para uma sessão de terapia. Mas, como tudo tem um "mas", no processo terapêutico a dor do terapeuta pode aparecer, mas não pode ser protagonista, porque se você procura ajuda, é porque esta na condição de buscar ajuda e não de ofertar ajuda. Este movimento pode aparecer na terapia, na relação de transferência e contratransferência, mas o terapeuta tem estruturação teórica para saber se este movimento esta contribuindo ou não para o processo terapêutico do seu paciente. Se a terapia tem o objetivo de praticar a compaixão, empatia, acolhimento, por exemplo, o terapeuta pode usar este evento para trabalhar isso com o seus cliente/paciente. Como eu disse, o terapeuta tem por obrigação entender e saber se o que esta fazendo é seu papel como profissional ou não. Sim, é uma linha muito tênue e muito frágil que determina estes limites na relação terapêutica.

O lugar de terapeuta, é um papel muito sedutor, digo no duplo sentido, mesmo. Pense só, você esta com um monte de medos e inseguranças, e tem muito medo de buscar um amigo com receio de ser julgado ou desta pessoa "meter a língua nos dentes" e contar os seus segredos para outras pessoas. De repente na sua frente tem uma pessoa que fez um juramento de confiabilidade e de sigilo, te ouvindo com atenção sem te julgar e ainda interessado no que você pensa, sente... é bem tentador, né?! Mas nem sempre é assim, as vezes escutamos nosso ou nossa terapeuta e a cabeça esta em outro lugar, e quando olhamos no relógio temos a impressão que a hora não esta passando e aquele assunto já esta chato, vou te contar um segredo: as vezes nós terapeutas fazemos o mesmo, e ambos já perceberam isso, e esta tudo bem também. Lembre-se, somos humanos! A diferença é que o terapeuta em algum momento vai dizer pra você que seu discurso esta repetitivo e enfadonho, mas no momento certo, caso você não perceba antes e diga pra ele... E ai você esta focando na sua terapia e aprendendo a fazer escolhas melhores na sua vida.

Nossa, só agora eu vi que este texto ficou enorme! Mas eu espero que tudo que você leu até aqui te ajude a escolher para quem você quer falar sobre o seu problema. Espero que você possa fazer uma boa escolha...


Ué, você pensou que eu iria responder essa pergunta? Respondi lá em cima no inicio do texto. Lembre-se eu sou psicóloga e "psicólogos não dão opinião" , sim é o que dizem por ai, mas na verdade podemos dar nossa opinião com base teórica baseada nas suas vivencias, mas podemos apresentar opções e possibilidades, mas a escolha é e sempre será sua.

 
 
 

Comentários


Sindrome de Super herói
12:00
Ser bom não é ser bonzinho
16:18
Emoções e seu cérebro
19:05

  • Instagram

@lusipsi

Obrigada!

bottom of page